Sunday, January 29, 2006

Resenha - Scott Reeder- Tunnelvision Brilliance (2005)

Considerado uma das pedras fundamentais para toda e qualquer teoria, tese ou antítese do universo do stoner rock, o Kyuss começou sua odisséia musical em meados dos anos 80 e durou até a metade exata da década seguinte. Mesmo com uma história de vida marcada por uma suposta marginalização do mainstream da época, o quarteto do deserto de Palm Springs (Califórnia- EUA), fez escola entre os rockers do mundo todo e até hoje é tido como uma base sólida de influência para muitos. Mas o fato é que, mesmo com sua extinção um tanto precoce e confusa, a banda que frequentemente tinha seu som comparado ao de um ‘Black Sabbath ainda mais lisérgico’ ainda continua render frutos musicais interessantes pelos lados do Tio Sam.
Não bastasse todo hype atual que gira em torno do Queens Of The Stone Age (capitaneado por seu ex-guitarrista Josh Homme), da boa aceitação na cena alternativa dos álbuns-solos de Brant Bjork (ex-baterista), e das inúmeras bandas nas quais o vocalista John Garcia empresta sua voz sussurrante, finalmente chegou a vez do baixista Scott Reeder promover seu debut: ‘Tunnelvision Brilliance’ conta com treze faixas e facilmente pode funcionar como um contraponto bem sacado para as performances intensas do baixista na época do Kyuss. Isso mesmo. Não espere por aqueles timbres distorcidos e graves em excesso, nem composições bate-cabeça, com riffs demolidores. Em ‘Tunnelvision’, o que impera são dinâmicas, dedilhados de violão, composições introspectivas e até uma ‘veia pop’ indiretamente enxertada na maioria das músicas.
Reeder, a exemplo de seu ex-parceiro de banda Brant Bjork, também optou pelo estilo ‘one man band’: gravou todos os instrumentos do álbum e mandou ver nos vocais. E justamente neste setor que uma influência notória do rock progressivo vem à tona. David Gilmour (vocalista/guitarrista do Pink Floyd) provavelmente ficaria orgulhoso de seu pupilo do deserto. Músicas como ‘The Silver Tree’, ‘When’ e ‘To Na End’ tem uma essência ‘Floydiana’ cuspida e escarrada. Outro bom destaque também é a melancolia moderna de ‘For Renne’ e a hipnótica ‘Away’.
Bom álbum. Boas músicas, boas sacadas. E digere bem mais fácil se você não se preocupar tentar criar qualquer tipo de vínculo mirabolante com o Kyuss.

(Fernando Cappelli)

Track List

1- When I Was
2- Thanks
3- The Silver Tree
4- Away
5- Diamond
6- When?
7- For Renee
8- The Day of Neverending
9- Queen of Greed
10- Fuck You All
11- To an End
12- The Fourth
13- As I'm Dreamin'

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