Hard indie folk´n´roll
O desafio foi proposto em uma noite qualquer de bate-papo no MSN, pelo meu grande amigo Luiz Fernando Pinotti Silva, que além de um contista de grande talento e dono de um gosto musical refinado, também se mostra um incansável nas boas idéias.
Bom, o lance era o seguinte: trocar, ouvir e resenhar alguma música que você sabia não fazer parte diretamente do cotidiano musical do outro. E eu, como um inveterado consumista e colecionador de sons, ruídos e melodias aceitei de imediato.
Luiz então me mandou 'John Wayne Gacy, Jr.', música do álbum ‘Come On! Feel The Illinoise’, do compositor norte-americano Sufjan Stevens, provavelmente um dos ‘bãbãbãns’ mais atuantes na cena gringa do indie/folk moderno.
De imediato, gostei do que ouvi, apesar de algo totalmente diferente do que usualmente estou acostumado em meu universo banhado a stoner rock e outras barulheiras saturadas. O estilo introspectivo da música se baseia em uma dinâmica que mescla acordes minimalistas de piano (semelhante a algumas harmonias que bandas como Elbow e Belle & Sebastian adoram usar), com um dedilhado simples de violão e, com isso, compõe a fórmula ideal que serve de base para contar uma história sórdida e que poderia ser facilmente encontrada em qualquer álbum feito pelo Marilyn Manson.
E se o diabo é o pai do rock e Bob Dylan o da folk music, o nome do novo garoto-prodígio Sufjan Stevens pode ser considerado um neologismo que veio para ‘chutar a porta da frente’ com tudo mesmo.
O título da música imediatamente chamou atenção. Sabia que já havia ouvido ou lido o nome John Wayne Gacy em algum lugar. Após uma rápida pesquisa, constatei que se tratava de um dos mais conhecidos serial-killers da terra do Tio Sam. O cara se vestia de palhaço, era tido por todos os vizinhos como um cidadão-exemplar. Mas nem por isso deixou de violentar, matar e guardar os corpos em decomposição de 29 jovens no porão da sua casa, em Illinois, Chicago (mesma terra-natal de Stevens). E mesmo debaixo de tanta melancolia e sutileza instrumental, são utilizadas palavras contundentes como vermes, pedaços em decomposição, cativeiros sufocantes e beijos da morte sem metáforas, em um contraponto sarcástico e cruel que imediatamente me pensar em como seria a concepção de uma canção Tom Jobim sobre as peripécias do nosso Chico Picadinho...
...e, porra, seria o máximo!

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